terça-feira, 12 de abril de 2011

Xamanismo, Bruxaria, Magia - 7ª parte




Dando continuidade a uma abordagem de certos caminhos de Xamanismo, Bruxaria e Magia que não fazem parte do que o senso comum tem apontado como tal, vamos hoje entrar em outro tema importante. Comentei em artigo anterior que o conceito de Divindade para o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia Telúrica que estamos estudando aqui é completamente diferente do conceito comum que se tem da divindade, mesmo nos ramos tidos por esotéricos. Para nós, a Existência, emana da inexistência, emana, não "é criada", mas emana o que implica em toda uma abordagem fenomenológica distinta daquela que vem de um "deus criador" .

Se tudo emana, emanamos também e temos assim elos profundos com tudo mais que foi emanado, outra abordagem, ao invés de criaturas diversas, seccionadas e a parte, somos uma teia de eventos inter-relacionados.

Para nós xamãs, bruxos e magistas telúricos somos todos (as) parte da ETernidade, não "criaturas", e sendo partes somos igualmente misteriosos, complexos e assim da formiga à estrela, somos todos (as) complexidades existenciais distintas. Dessa forma toda vida passa ser sagrada, toda manifestação da vida é sagrada e o fato da atual civilização dominante ter rompido esse pacto com a vida, com a criação de uma civilização dominadora, belicista, degradadora do meio é um alerta que algo vai muito errado com a humanidade, que pode estar em perigosa rota de extinção planetária.

Para nós, nestes caminhos, a vida e a consciência são mistérios supremos e impregnam várias estâncias da realidade que nos circundam.

Não há vida "superior" ou vida " inferior" há "VIDA" , tão pouco consideramos o ser humano mais consciente que os animais, são diferentes , mas não superiores ou inferiores, lógico que para os paradigmas dominantes isso não é aceito, o próprio esoterismo do senso comum vai contra isso colocando que a "pedra evolui em planta, a planta em animal e o animal em humano”. Negamos isso aqui, cada momento da vida e da consciência é completo em si.

Hoje se começa a questionar esses conceitos neo-darwinistas de evolução que o esoterismo do senso comum se impregnou no século XIX principalmente, (pois no século XX pouca coisa nova foi gerada neste campo, muito se copiou, mas poucos geraram pelo menos consultas a fontes mais sólidas).

Principalmente o espiritismo e a teosofia usaram muito desses paradigmas, dessa "evolução espiritual" pela linha do tempo, mas isto hoje é questionado até mesmo em termos de física quântica quando vamos perceber que são ilusórias as idéias de passado e futuro que temos, fruto do senso comum e não fatos experimentais.

O xamanismo, a magia e a bruxaria telúrica enquanto caminhos nunca entraram por estas veredas, mantiveram sempre uma abordagem bem própria da realidade, que agora, com novos instrumentais cognitivos, começam a fazer sentido mesmo para quem não é iniciado nestes campos.

Tais elaborações racionais muito específicas tem seu apelo, é verdade, mas isso parece ter tanto valor porque manifestamos tais elaborações neste contexto alienante e alienado que chamamos de realidade, um estado de ser artificial e convencionado.

O ser humano se arroga direitos que ninguém lhe deu. Para os (as) xamãs, bruxos (as) e magistas a realidade é composta da somatória de suas partes, assim cada ente vivo neste planeta e no universo como um todo tem seu papel.

Discutir superioridades de papéis é como declarar que células de um órgão são mais importantes que de outros.

Cada ser vivo enquanto espécie está seguindo complexo caminho existencial, onde representa um papel que só quem é "irmanado" a tais linhagens pode mesmo entender que não é racionalizar, mas sentir.

Quando os golfinhos mergulham e ficam longo tempo desaparecidos da vista humana, quando as baleias entram em seu transe com seus mântricos cantos, sabemos mesmo o que estão fazendo?

Que tessituras de poder estão tecendo?
Que mundos visitam?

Nos tempos ancestrais as manadas de elefantes caminhavam em longas jornadas para ir acompanhar os seus anciões na última viagem, viagem até o lugar onde estes mágicos e poderosos seres haviam, por gerações, escolhido morrer.

Os famosos cemitérios de elefantes, lugares sagrados, onde o poder de gerações desses seres esteve contido, de repente se determinou que tais lugares deveriam ser explorados, porque quem, em juízo e lucidez, vai dar valor a histórias bobas de nativos supersticiosos que grandes desequilíbrios viriam ao mundo se tais lugares fossem profanados?

Todo povo ancestral tinha áreas que declarava: "não é área para humanos". Montanhas, cavernas, locais em deserto ou florestas, áreas sagradas onde a presença humana não devia ocorrer.

Quem respeita isso hoje?

Lidar com Xamanismo, Magia e Bruxaria é muito mais complexo que brincar com alguns símbolos, algumas vestimentas, decorar meia dúzia de termos em alguma língua antiga, induzir transe por alguma prática repetitiva e chamar o agito da luz astral, o deslocamento superficial da consciência de "transe".

Tais Artes vem de um tempo em que a forma de existir e ser era outra e assim tudo era diferente. Implica em reconectar outra abordagem da realidade, muito, muito distante da hoje dominante.

É preciso uma profunda abertura de nossa percepção para irmos além dos limites conceituais nos quais esta civilização nos prende e realmente mergulharmos nos paradigmas oriundos de uma civilização onde ser humano, plantas, animais e entes de outras esferas viviam em contato íntimo entre si.

Este artigo é uma introdução ao tema "Xamanismo, Bruxaria e Magia, são caminhos espirituais?" que será o próximo a ser enviado.

Nuvem que passa
Extraído do Pistas do Caminho
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