quarta-feira, 4 de junho de 2014

Caçador de recompensas - Arierom Salik

Nos dias de hoje, não há como praticar sortilégios com Tarô sem a tal Tarologia. Com ela entendemos como funciona a Taromancia ou simplesmente Adivinhação. Para praticar todo estudo e entendimento da Arte, temos que estudar e entender outra vertente: Metodologia. E assim saber escolher o método mais indicado para um presságio. E como é fundamental ser ético num atendimento. Há uma infinidade de conceitos moralmente aceitos e praticados por mim que para outro taromante não o são e vice versa. Penso que nos “antigamentes”, com as cartomantes, tudo isto já existia: Tarologia; Taromancia; Metodologia; Ética - de alguma forma, sem tantas definições, dicotomias racionalizadas em suas práticas, como se apresenta atualmente. Evolução? Outra função pertinente ao gênero humano também entra no contexto, como a intuição. Faz parte do pacote.
"Procura-se vivo ou morto"
Procurado vivo ou morto.
Recompensa $ 50.000.000
Ilustração de Gene1
Penso que Tarô já é uma "ciência não mais oculta", porém ainda do orbe de esotéricos e similares. A mística da coisa ainda permeia o imaginário popular, se derrama sobre crenças pessoais (também tenho meus dogmas, não se encane, caro viajante) mesclados com fundamentos filosóficos espirituais e religiosos. Julgo ser prejudicial e não apropriado, pois o Tarô é livre, libertário e libertador. Não está preso ou sob o domínio de nenhuma religião, segmento espiritual ocultista ou disciplina acadêmica, a meu ver. Mas se alguns acham que sim... aí o problema não é meu.
Já não me causa espanto quando recebo pedido de informação sobre o meu trabalho e vêm perguntas do tipo:
1ª - Você faz trabalho de amarração ou desmancha mandingas?
2ª - Você receita florais? Acupuntura? Massagens? Dá passes?
3ª - Nossa! Você cobra!?! Mas... caridade não é de graça?
4ª - Às três da manhã me ligam: Você pode me atender agora?
5ª - Quais seus dons paranormais?
6ª - Que guia; mestre ascencionado; mentor você usa na consulta?
7ª - Que tipo de ritual você pode passar pro meu problema?
8ª - Em quanto tempo você resolve meu problema?
9ª - Mas se você é adivinho... não descobre o meu póbrema?
10ª - Que tipo de taroti você lê? Eu não gosto daquele Marcela, é muito feinho e está desatualizado e fora de moda...

Penso que a causa de fatos assim não é responsabilidade daqueles que nos procuram, mas da nossa “classe” em geral. Vejo que de certa forma, mesmo sem querer, contribuo involuntariamente para isso. Ainda nos vêem como seres especiais e com super poderes astrais. E alguns egos taromânticos apreciam a tag. Que temos convênio com o destino e seus desígnios, linha direta onde o Criador além de nos atender a qualquer hora, fará através de alguma magia, alterações naquele plano que não vai ao gosto do cliente. Que a Arte pode mudar fados e fardos e fatos ao preço módico de uma consulta de hora e meia em média – com direito a retorno, feito consulta de médico, e help desk 24 horas.
O Tarô certamente aponta, aconselha e orienta um dado momento na vida de uma pessoa, mas quem tem o poder de mudar algo é aquele que está se consultando. Nos cabe orientar, mas há fatos que não estão no script que este veio desenvolver, e geralmente o apego, vaidade e orgulho de cada um é a fonte geradora de sofrimentos: suas próprias ilusões e devaneios. E saem às vezes revoltados ao saber que ele/ela não volta e nem os ama: “Mas você não traz ele de volta... amarradinho aos meus pés?”Já respondi certa vez bem assim: “Desculpas, sou taromante, não caçador de recompensas à la Velho Oeste” Acreditem... ela não entendeu nem uma nem outra coisa. Respeitar o momento de dor do outro, não significa não usar de bom humor ou perder a esportiva. Mesmo em face de algo que os símbolos indicam não pertencerem àquela pessoa, não significa que ficará sem resposta. O Tarô tem saída para tudo que se imaginar através de seus conselhos: Faz quem pode, segue quem quer. Quem quer?
julho.09
Contato com o autor:
Arierom Salik - www.blogdetaro.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores

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