O amuleto é um artefato utilizado para proteger o indivíduo de algum mal ou para lhe trazer sorte. Os amuletos egípcios geralmente tinham o formato de deuses ou de objetos associados à eles. Não eram só as pessoas vivas que utilizavam-se desse recurso, o corpo do morto também recebia amuletos de proteção para a outra vida. Eles eram feitos dos mais variados materiais, como o lápis-lazúli, turquesa, ouro e madeira. O material mais popular era a Faiança, uma espécie de massa que precisava passar pelo processo de vitrificação, ou seja, era levada ao fogo diversas vezes.

[...]Quanto mais se carrega – pensam os egípcios – mais magicamente se fica protegido contra os milhares de perigos da vida na Terra e no Além. (KOENIG; AGEORGES, 1998, p. 27)

A fabricação dos amuletos era feita através de formas (moldes), que serviam como uma espécie de produção em escala, sendo que desse modo não era necessário que cada objeto fosse feito de maneira única. Com os moldes prontos, era inserida a faiança, que precisava ser pressionada até que fosse totalmente compactada. Esse era o processo mais comum, mas também existiam artefatos exclusivos (encomendados pelos Faraós e a Nobreza), que eram feitos pelos melhores artesãos.

Principais Amuletos


ESCARAVELHO
Estima-se que o escaravelho tenha surgido no Império Médio e foi um dos amuletos mais populares do antigo Egito. Os egípcios acreditavam que eles eram a representação de Khepri, uma forma de Ré (Ra). Notaram que os escaravelhos rolavam uma bola de esterco no chão e fizeram a comparação com o movimento do sol no céu. Seus filhotes saiam de dentro da bola de esterco e foi pensado que se auto-reproduziam, fazendo uma alusão aos mitos de criação.

Peitoral de Escaravelho da tumba de Tutankhamon

O amuleto em forma de escaravelho continha algumas inscrições (frases, rituais) ou apenas o nome do Faraó ou de alguma divindade. Acreditava-se que ele garantiria uma vida protegida dos maus espíritos. Foi importante também no funeral egípcio e servia para proteger o coração do morto na hora da pesagem do coração, já que a balança poderia ficar contra o seu dono e por isso era melhor ter mais uma garantia.

OLHO DE HÓRUS (UDJAT)
O olho de Hórus é o amuleto que representa o olho do deus falcão Hórus. Em uma das versões do mito da luta entre Seth e seu sobrinho, o deus vermelho Seth, como era popularmente conhecido, arranca um olho de Hórus que mais tarde é regenerado por Thoth o deus da escrita e que presidiu o tribunal na batalha entre Seth e Hórus. O amuleto protegia o portador contra doenças e garantia-lhe a vida. Ele era chamado de Udjat e estava ligado com a regeneração, a saúde e a prosperidade.

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Havia dois tipos de Udjats, o olho direito e o olho esquerdo. O mais popular e poderoso era o direito (sol), o esquerdo simbolizava a lua e provavelmente essas associações devem-se a crença de que ambos eram os “olhos do céu”; o sol e a lua. O olho de Hórus não servia apenas como proteção para a vida dos egípcios, ele era muito utilizado nos funerais e no Livro dos Mortos há fórmulas de como invocar o seu poder. Cada parte do olho, representava uma fração, e essas frações eram Hieróglifos que tinham um valor. Além disso, os egípcios atribuíam os sentidos a cada parte do olho. 1/2 era o olfato, 1/4 era a visão, 1/8 era o pensamento, 1/16 era a audição, 1/32 era o paladar e 1/64 para o toque (tato).


CRUZ DE ANSATA (ANKH)
O Ankh é um dos símbolos mais conhecidos do antigo Egito. Sua representação é desconhecida e alguns estudiosos acham que ele possa ser uma sandália vista de cima ou até mesmo uma espécie de chave. O seu Hieróglifo significa “vida / vida eterna”  e foi um importante amuleto de proteção. As divindades são constantemente representadas segurando a Ankh nas mãos.

Caixa do espelho de Tutankhamon em formato de Anhk.

Esse símbolo foi associado com a cruz cristã e em alguns períodos os egípcios convertidos ao cristianismo utilizavam-se a cruz cristã e a “cruz de Ankh” como símbolo da religião cristã. O Ankh também significa “espelho de mão” e talvez fosse essa a representação mais próxima do amuleto (“refletir” a vida).

NÓ DE ÍSIS (TET)
O nó de Ísis é muito parecido com o símbolo Ankh. O amuleto está ligado diretamente com o sangue de Ísis e por isso geralmente tem a cor avermelhada. Ele simbolizava a proteção da deusa e de seu filho Hórus. O amuleto permitia que o morto viajasse no submundo com segurança. Chamado pelos egípcios de Tet, o nó de Ísis era colocado amarrado no pescoço do morto. Ele foi muitas vezes representado junto com o pilar de Osíris (Djed) em diversos amuletos.

Representação do Nó de Ísis

DJED
Conhecido como o Pilar de Osíris, de onde Ísis teria retirado a caixa com o corpo do Deus que tinha caído em uma armadilha feita por Seth. Esse amuleto significa “estabilidade” e representa a coluna vertebral de Osíris. Aparece muitas vezes em sarcófagos e tinha o intuito de dar estabilidade ao morto. O pilar Djed tornou-se um símbolo de Osíris que tinha entre alguns atributos a fertilidade e a regeneração. Ele era um amuleto popular também na vida cotidiana dos egípcios.

Djed da 26ª dinastia – Museu Britânico: www.britishmuseum.org

Existiam outros diversos amuletos e cada um servia para um propósito em vida ou depois dela. Os egípcios acreditavam que usando um amuleto, poderiam ter o poder que o mesmo representava, ou seja, se carregassem o amuleto de um touro, poderiam ter a mesma força de um. Foi de longe um dos acessórios mais utilizados em toda a história egípcia, no qual se faz necessário entendê-los, para compreendermos um pouco mais sobre suas crenças.

Autor: Lucas Ferreira
Fontes / Referências:
- BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2004.
- HART, George. The British Museum Pocket Dictionary of Ancient Egyptian Gods and Goddesses. British Museum Press, 2001.
- MCDONALD, Angela. The Ancient Egyptians: Their Lives and Their World. Published by The British Museum Press, 2008.
- MILLARD, Anne. The Egyptians (Peoples of the past). London: MacDonald & Company, 1975.
- MORLEY, Jacqueline; SALARIYA, David. How Would You Survive As an Ancient Egyptian?.  London: Orchard/Watts Group, 1999.
- SHAW, Ian. The Oxford Illustrated History of Ancient Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2000.
- KOENING, Viviane; AGEORGES; Véronique. Às margens do Nilo, Os Egípcios. Editora: Augustus, 1998.
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