quarta-feira, 19 de outubro de 2011

MAGIA - ORIGENS E CONCEITOS

A palavra magia vem do grego “μαγεια” (magueia), que é a arte do mago; idéias e práticas que se baseiam na crença de que alguns objetos e operações sejam capazes de causar o efeito desejado sobre os seres e fenômenos naturais.

A definição mais popular de magia é “A arte de alterar e moldar a realidade através do poder da vontade.” Diferentemente do que se pensa, a magia não é um meio de burlar as leis naturais, ao contrário, é o uso “emprestado” do poder da natureza e seus elementos. A compreensão de seus mecanismos e a escolha do momento propício para a realização da mesma, buscando o alinhamento de todas as forças possíveis, que possam se somar para agilizar e aumentar a precisão do resultado é um dom que o bruxo e/ou a bruxa adquirem com anos de prática e treinamento.

A magia é tão antiga quanto a própria humanidade. De fato, ela já existia antes mesmo de o ser humano começar a rascunhar as bases para as primeiras religiões, e podemos vê-la registrada na arte do Período Paleolítico Superior, que data de aproximadamente 45.000 anos atrás.

Nas pinturas rupestres encontramos gravuras de homens vestidos com peles, chifres e penas de animais, que foram identificados como xamãs. Ao que parece eles eram figuras respeitadas dentro dos clãs, cuidando dos doentes com seus conhecimentos das ervas, presidindo as cerimônias, os ritos de passagem, os funerais e os enterros dos mortos.

Nas Vênus Esteatopígeas, que são estátuas rústicas de mulheres de seios fartos e quadris largos, vemos a reverência ancestral ao feminino e ao mistério da gravidez.

Dentre os muitos objetos encontrados deste período, existem diversos adornos que parecem ser amuletos e talismãs para trazer proteção e boa sorte nas caçadas, além de instrumentos musicais como tambores e flautas que podem ter sido usados em cerimônias religiosas para estimular o transe.

Durante todo esse tempo, o homem foi um caçador-coletor, de natureza nômade, e por realizar a maioria de suas caçadas à noite, tirando vantagem da escuridão para armar as emboscadas, a Lua tinha um papel fundamental e esse era um dos motivos para sua veneração. Essa veneração à Lua também era fortalecida por sua relação com os ciclos menstruais e reprodutivos da mulher.

Mais tarde, com o aumento populacional e o fim da última Era Glacial, o ser humano foi se tornando sedentário e começou a fixar moradia, criando as primeiras cidades. A partir de então, em mais ou menos 10.000 anos a.E.C., no período Neolítico, surge a agricultura, a domesticação de animais e a pecuária, marcos que possibilitaram o início das primeiras civilizações humanas.

Até então para sobreviver, o homem estava completamente à mercê das forças da natureza. Mas ao observá-la, percebeu a importância do Sol e a existência das estações do ano. Notou também que havia uma época certa para plantar, outra para colher, e que se não seguisse o ritmo desse ciclo natural, não teria alimentos e morreria de fome.

Dessa forma, o ser humano criou certos hábitos, como dar oferendas à terra e a divindades que personificavam as forças da natureza, visando garantir boas colheitas e a saúde do gado. Inicialmente, esses costumes, que eram passados de geração a geração, não eram propriamente religiosos, mas com o passar do tempo eles formaram as bases para as primeiras religiões pagãs, que são repletas de práticas mágicas.

Assim como a cultura e a tecnologia foram se desenvolvendo com o tempo, a magia também foi se sofisticando, chegando hoje ao que conhecemos como magia cerimonial. Acredita-se que magia cerimonial tenha se originado principalmente da civilização Sumério-Babilônica, e daí alcançou o Império Persa, a Grécia, o Egito e a África Ocidental, onde foi se diversificando de acordo com cada povo.

Hoje a magia não tem fronteiras, estando presente em todas as culturas e em todas as religiões do mundo, das mais diversas formas. Quando falamos em relíquias sagradas, arquitetura dos templos, oferendas a divindades, cultos cerimoniais, comunicação com os espíritos, incorporação, profecias, revelações, orações, milagres da fé, etc., estamos falando de magia.

A magia pode ser realizada com o auxílio de símbolos, instrumentos, cerimônias ou operações ritualísticas que se baseiam em algum sistema mágico. Sistemas mágicos são conjuntos de dogmas e preceitos unidos de forma a auxiliar o operador a alcançar seus objetivos da maneira mais adequada. Não há um sistema mágico melhor ou pior que outro. O que pode fazer a diferença nos resultados é o nível de conhecimento sobre o sistema escolhido e o grau de afinidade do magista com a energia do mesmo.

Muito se fala em magia branca e magia negra, distinções ilusórias produzidas pelo maniqueísmo. Magia não tem cor, assim como magia não é boa nem má, tais conceitos variam a partir do ponto de vista do observador. O que existe é a vontade de alcançar um objetivo e os meios utilizados para realizá-lo, com base na ética e no bom senso.

Assim como o fogo precisa de três elementos básicos para existir: combustível, comburente e centelha; a magia também necessita de três fatores fundamentais à sua manifestação. São eles:

A energia mental – que consiste na focalização de um objetivo, o planejamento dos meios de como alcançá-lo, o conhecimento mágico teórico; a visualização do resultado final e a concentração disciplinada.

A energia emocional – que consiste no desejo pessoal que motiva a realização do objetivo, que serve de veículo e alimento para a concretização do mesmo.

O plano físico – que consiste na manifestação da energia mental e emocional na matéria, através do uso de símbolos, instrumentos, objetos e ritos que correspondam às forças evocadas para a realização da magia, e a convicção de que o objetivo já está concretizado.

Quando esses três fatores são unidos harmonicamente, o que inicialmente estava no mundo das idéias é canalizado e amplificado ao passar pelo mundo das emoções, e finalmente se manifeste no mundo físico.

Texto escrito pelo Sacerdote Diogo Ribeiro e Sacerdote Og Sperle





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