sexta-feira, 18 de maio de 2012

A grande mãe, Hathor e o leite da Via Láctea




Ísis, com o filho Hórus

São muitos os seus nomes, Yemanjá, Nossa Senhora, Hathor, Démeter, Ceres, Madona, Isis… A grande mãe recebe figurações há milênios. Nas antigas sociedades, elas representavam o começo e o fim de tudo, mas também a criação, transformação, nutrição, proteção.
Uma das representações mais antigas talvez seja o vaso. O vaso teve um papel muito importante na antiguidade, é tanto um atributo como um símbolo da natureza feminina sagrada. Instrumento de trabalho daquelas que iam buscar água, colher frutas e preparar a comida, também era utilizado nos rituais sagrados e como urna funerária. O feminino está associado à criação e o útero é o “sagrado recinto”. As características essenciais do caráter feminino estão ligadas ao vaso, como símbolo da transformação, a maternidade, talvez seja a mais visível.
Os seios também se destacam como elemento do feminino, estando relacionados com o leite e à vaca. No Egito, há milhares de anos, o mito de criação contava sobre uma grande enchente primordial, na qual a vaca emergia como primeira criatura. Hathor, a Grande Deusa-Mãe com cabeça de vaca, deusa da fertilidade, personificava o amor, a alegria, a dança e a maternidade e, na versão de deusa celeste Nut, impregna a terra com a sua chuva de leite e carrega o deus-sol nas costas. Filha e esposa de Rá, o deus-sol,  a deusa auxiliava as mulheres nos partos, também estava associada a Ísis, quando surge como a mãe de Hórus. Interessante lembrar que as quatro patas da vaca celestial que representavam Nut ou Hathor aparecem como os pilares sobre os quais o céu repousava, com as estrelas em sua barriga formando a Via Láctea pela qual a barca solar de Rá, o Sol, navegava.
No mito grego, um jorro do leite da deusa Hera, a senhora do Olimpo, havia formado a Via Láctea.
Mãe celeste, mãe terra, mãe criadora, mãe acolhedora, nutridora, talvez seja mesmo começo e fim de tudo.
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